JORNALISMO IMPRESSO
Módulo 2 – Produção da Notícia
Aula 1 – Critérios de noticiabilidade
Todos os dias acontecem milhares de fatos no mundo. No entanto, apenas uma pequena parte deles se transforma em notícia. Essa seleção não acontece por acaso. Os jornalistas utilizam critérios conhecidos como critérios de noticiabilidade ou valores-notícia, que ajudam a identificar quais acontecimentos possuem maior relevância para o público e, por isso, merecem espaço em um jornal. Esses critérios orientam o trabalho das redações e tornam possível organizar as informações de forma responsável e útil para a sociedade.
O primeiro critério é o interesse público. Em geral, tornam-se notícia os fatos que podem afetar a vida das pessoas, como mudanças em leis, decisões governamentais, questões de saúde, educação, segurança, economia ou meio ambiente. Quanto maior o impacto de um acontecimento sobre a população, maior tende a ser seu valor jornalístico. É importante diferenciar interesse público de curiosidade pública: nem tudo o que desperta curiosidade contribui para informar ou beneficiar a sociedade.
Outro fator importante é a atualidade. O jornalismo trabalha com acontecimentos recentes, pois o leitor busca informações novas e relevantes. Uma notícia precisa estar relacionada ao presente ou apresentar um fato antigo que voltou a ter importância por algum motivo. Isso explica por que os jornais renovam diariamente suas pautas e procuram acompanhar os acontecimentos em tempo real. Mesmo assim, a rapidez nunca deve comprometer a veracidade das informações. Antes de publicar qualquer conteúdo, o jornalista deve confirmar os fatos e consultar fontes confiáveis.
A proximidade também influencia a escolha das notícias. As pessoas costumam demonstrar maior interesse por acontecimentos que ocorrem em sua cidade, região ou país, pois esses fatos podem afetar diretamente seu cotidiano. Isso não significa que notícias internacionais sejam menos importantes, mas sim que a identificação do leitor com o assunto costuma aumentar quando existe alguma relação geográfica, cultural ou social com o acontecimento.
Outro critério bastante utilizado é o impacto. Fatos que envolvem um grande número de pessoas ou provocam consequências significativas normalmente recebem maior destaque. Um desastre natural, uma crise econômica, uma grande conquista científica ou uma mudança importante na legislação são exemplos de acontecimentos que costumam ganhar espaço porque afetam diretamente a sociedade.
A novidade
e o ineditismo também despertam interesse jornalístico. Descobertas científicas, tecnologias inovadoras, projetos pioneiros e acontecimentos inesperados chamam a atenção do público justamente por apresentarem algo diferente do cotidiano. Entretanto, a novidade, sozinha, não basta para transformar um fato em notícia. Ela precisa estar acompanhada de relevância e informações confiáveis.
Situações de conflito, tragédia, superação, curiosidade ou envolvendo pessoas de grande notoriedade também costumam receber ampla cobertura. No entanto, o jornalista deve tratar esses temas com equilíbrio e responsabilidade, evitando o sensacionalismo. O objetivo do jornalismo é informar com precisão e respeito às pessoas envolvidas, e não explorar emoções apenas para atrair leitores. A ética deve estar presente em todas as etapas da produção da notícia.
Na prática, os critérios de noticiabilidade funcionam como ferramentas que auxiliam os profissionais a selecionar, organizar e priorizar os acontecimentos mais relevantes do dia. Eles não são regras absolutas, mas orientações que ajudam a construir um jornal equilibrado, informativo e comprometido com o interesse público. Compreender esses critérios é fundamental para qualquer pessoa que deseja atuar no jornalismo, pois permite entender como as notícias são escolhidas e por que determinados fatos recebem maior destaque do que outros.
Referências bibliográficas
ERBOLATO, Mário. Técnicas de Codificação em Jornalismo. São Paulo: Ática.
LAGE, Nilson. Estrutura da Notícia. São Paulo: Ática.
LAGE, Nilson. A Reportagem: Teoria e Técnica de Entrevista e Pesquisa Jornalística. Rio de Janeiro: Record.
MELO, José Marques de. Teoria do Jornalismo. São Paulo: Paulus.
SILVA, Gislene. Para Pensar Critérios de Noticiabilidade. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina.
SODRÉ, Muniz; FERRARI, Maria Helena. Técnica de Reportagem. São Paulo: Summus.
TRAQUINA, Nelson. Teorias do Jornalismo. Florianópolis: Insular.
WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença.
Aula 2 – Técnicas de apuração e entrevistas
A qualidade de uma notícia depende diretamente da qualidade da apuração. Antes de escrever qualquer texto, o jornalista precisa reunir informações confiáveis, confirmar os fatos e compreender o contexto do acontecimento. A apuração é justamente esse processo de investigação, no qual o profissional coleta dados, consulta documentos, entrevista pessoas e verifica cada informação antes de publicá-la. É essa etapa que diferencia o jornalismo
qualidade de uma notícia depende diretamente da qualidade da apuração. Antes de escrever qualquer texto, o jornalista precisa reunir informações confiáveis, confirmar os fatos e compreender o contexto do acontecimento. A apuração é justamente esse processo de investigação, no qual o profissional coleta dados, consulta documentos, entrevista pessoas e verifica cada informação antes de publicá-la. É essa etapa que diferencia o jornalismo profissional de um simples comentário ou de um boato divulgado sem comprovação.
Toda apuração começa com uma pauta, ou seja, um tema ou fato que será investigado. A partir desse ponto, o jornalista define quais informações precisa obter, quais fontes deverão ser consultadas e quais documentos podem ajudar na construção da reportagem. Planejar essa etapa economiza tempo e torna a investigação mais organizada. Mesmo em situações de urgência, é importante seguir um método de trabalho para evitar erros e garantir que a notícia seja completa e precisa.
As fontes de informação são fundamentais para o trabalho jornalístico. Elas podem ser oficiais, como órgãos públicos e instituições; especializadas, como pesquisadores e profissionais com conhecimento técnico; documentais, por meio de relatórios, leis e registros; ou testemunhais, representadas por pessoas que presenciaram determinado fato. Cada tipo de fonte oferece uma perspectiva diferente sobre o acontecimento. Por isso, é recomendável consultar mais de uma fonte sempre que possível, comparando as informações obtidas para aumentar a confiabilidade da reportagem.
Entre as ferramentas mais importantes da apuração está a entrevista. É por meio dela que o jornalista obtém informações, esclarece dúvidas, conhece diferentes versões dos fatos e enriquece a reportagem com relatos humanos. Uma boa entrevista começa antes mesmo do encontro com o entrevistado. O profissional deve pesquisar o assunto, preparar perguntas claras e objetivas e conhecer o perfil da pessoa que será entrevistada. Esse preparo ajuda a conduzir a conversa de forma natural e permite aproveitar melhor as respostas recebidas.
Durante a entrevista, é importante criar um ambiente de respeito e escuta. O jornalista deve ouvir atentamente, evitar interromper o entrevistado e fazer perguntas que estimulem respostas completas, em vez de respostas limitadas a "sim" ou "não". Também é essencial manter postura imparcial, sem tentar influenciar as respostas ou demonstrar julgamentos pessoais. Além das palavras, a observação do
ambiente, das expressões e das atitudes do entrevistado pode fornecer informações valiosas para a construção da reportagem.
Outro cuidado indispensável é a verificação das informações. Nem tudo o que uma fonte afirma corresponde necessariamente à realidade. O jornalista deve confirmar dados apresentados durante a entrevista, confrontá-los com documentos ou outras fontes independentes e identificar possíveis inconsistências. Esse processo de conferência fortalece a credibilidade da notícia e reduz significativamente o risco de divulgar informações incorretas.
Também faz parte da boa apuração ouvir os diferentes envolvidos em um acontecimento. Em situações de conflito, denúncias ou acusações, é fundamental oferecer espaço para que todos os lados apresentem sua versão dos fatos. Esse procedimento demonstra compromisso com a imparcialidade, amplia a compreensão do contexto e contribui para uma cobertura mais equilibrada e ética.
Em um cenário marcado pela velocidade das redes sociais e pela grande circulação de informações, a apuração cuidadosa tornou-se ainda mais importante. O jornalista não deve ser o primeiro a divulgar uma informação a qualquer custo, mas sim aquele que oferece ao público um conteúdo confiável, contextualizado e corretamente verificado. A credibilidade construída por meio da investigação rigorosa continua sendo um dos maiores patrimônios do jornalismo profissional.
Referências bibliográficas
CHAPARRO, Manuel Carlos. Sotaques d'Aquém e d'Além-Mar: Percursos e Gêneros do Jornalismo. São Paulo: Summus.
ERBOLATO, Mário. Técnicas de Codificação em Jornalismo. São Paulo: Ática.
FLORESTA, Cleide; BRASLAUKAS, Ligia. Técnicas de Reportagem e Entrevista em Jornalismo. São Paulo: Saraiva.
LAGE, Nilson. A Reportagem: Teoria e Técnica de Entrevista e Pesquisa Jornalística. Rio de Janeiro: Record.
LAGE, Nilson. Estrutura da Notícia. São Paulo: Ática.
MELO, José Marques de. Teoria do Jornalismo. São Paulo: Paulus.
SODRÉ, Muniz; FERRARI, Maria Helena. Técnica de Reportagem. São Paulo: Summus.
TRAQUINA, Nelson. Teorias do Jornalismo. Florianópolis: Insular.
Aula 3 – Redação jornalística
Escrever uma notícia é muito mais do que organizar palavras em um texto. A redação jornalística tem como principal objetivo informar o leitor de maneira clara, objetiva e precisa. Diferentemente de outros tipos de escrita, o texto jornalístico procura apresentar os fatos de forma organizada, permitindo que qualquer pessoa compreenda rapidamente o que aconteceu, mesmo que não leia a
notícia é muito mais do que organizar palavras em um texto. A redação jornalística tem como principal objetivo informar o leitor de maneira clara, objetiva e precisa. Diferentemente de outros tipos de escrita, o texto jornalístico procura apresentar os fatos de forma organizada, permitindo que qualquer pessoa compreenda rapidamente o que aconteceu, mesmo que não leia a notícia até o final. Por isso, simplicidade, clareza e precisão são características essenciais desse tipo de produção.
Uma das principais técnicas da redação jornalística é o lead — também chamado de lide. Trata-se do primeiro parágrafo da notícia, responsável por apresentar as informações mais importantes do acontecimento. Tradicionalmente, o lead procura responder às perguntas fundamentais do jornalismo: o que aconteceu, quem participou, quando ocorreu, onde aconteceu, como ocorreu e por que aconteceu. Ao reunir essas informações logo no início, o jornalista facilita a compreensão do leitor e desperta seu interesse pela continuidade da leitura.
Depois do lead, o restante da notícia costuma seguir a técnica da pirâmide invertida. Nesse modelo, as informações aparecem em ordem decrescente de importância. Primeiro são apresentados os fatos essenciais; em seguida, vêm os detalhes, explicações, declarações de fontes e informações complementares. Essa estrutura tornou-se um padrão no jornalismo impresso porque permite que o leitor obtenha rapidamente o conteúdo principal da notícia e facilita o trabalho de edição quando é necessário reduzir o tamanho do texto sem comprometer sua compreensão.
Outro aspecto importante é o uso de uma linguagem simples e objetiva. O jornalista deve evitar palavras excessivamente técnicas, frases longas ou construções difíceis de compreender. A prioridade é tornar a informação acessível para diferentes públicos. Sempre que um termo técnico for indispensável, é recomendável explicar seu significado para que o leitor acompanhe o assunto sem dificuldades.
A objetividade, entretanto, não significa produzir um texto frio ou sem contexto. Uma boa redação jornalística apresenta informações suficientes para que o leitor compreenda o fato em sua totalidade. Por isso, além do relato principal, o jornalista deve acrescentar dados relevantes, declarações de fontes confiáveis, informações históricas quando necessárias e elementos que ajudem a contextualizar o acontecimento. Dessa forma, a notícia deixa de ser apenas um registro do fato e passa a oferecer uma compreensão mais ampla da
objetividade, entretanto, não significa produzir um texto frio ou sem contexto. Uma boa redação jornalística apresenta informações suficientes para que o leitor compreenda o fato em sua totalidade. Por isso, além do relato principal, o jornalista deve acrescentar dados relevantes, declarações de fontes confiáveis, informações históricas quando necessárias e elementos que ajudem a contextualizar o acontecimento. Dessa forma, a notícia deixa de ser apenas um registro do fato e passa a oferecer uma compreensão mais ampla da situação.
A escolha das palavras também merece atenção. O texto jornalístico deve ser escrito com neutralidade, evitando expressões que demonstrem opinião pessoal, exageros ou julgamentos de valor. Cabe ao jornalista apresentar os fatos de maneira equilibrada e baseada em evidências, permitindo que o leitor construa sua própria interpretação. Essa postura fortalece a credibilidade da reportagem e reforça o compromisso ético da profissão.
Durante a redação, a revisão é uma etapa indispensável. Antes da publicação, o jornalista deve verificar se todas as informações estão corretas, se não existem erros gramaticais, incoerências ou repetições desnecessárias. Também é importante conferir nomes, datas, números, cargos e locais mencionados na matéria. Pequenos equívocos podem comprometer a confiança do público e prejudicar a qualidade do trabalho realizado.
Com a expansão das plataformas digitais, a redação jornalística passou por adaptações, mas seus fundamentos permanecem os mesmos. Independentemente de a notícia ser publicada em um jornal impresso, em um portal de notícias ou em outro meio de comunicação, a clareza, a objetividade, a precisão das informações e o compromisso com a verdade continuam sendo princípios indispensáveis. Dominar essas técnicas é um passo essencial para qualquer profissional que deseja produzir notícias confiáveis e de qualidade.
Referências bibliográficas
CHAPARRO, Manuel Carlos. Sotaques d'Aquém e d'Além-Mar: Percursos e Gêneros do Jornalismo. São Paulo: Summus.
ERBOLATO, Mário. Técnicas de Codificação em Jornalismo. São Paulo: Ática.
LAGE, Nilson. Estrutura da Notícia. São Paulo: Ática.
LAGE, Nilson. A Reportagem: Teoria e Técnica de Entrevista e Pesquisa Jornalística. Rio de Janeiro: Record.
MARQUES DE MELO, José. Teoria do Jornalismo. São Paulo: Paulus.
SODRÉ, Muniz; FERRARI, Maria Helena. Técnica de Reportagem. São Paulo: Summus.
TRAQUINA, Nelson. Teorias do Jornalismo. Florianópolis: Insular.
WOLF, Mauro. Teorias da
Comunicação. Lisboa: Presença.
Estudo de Caso – Módulo 2
A reportagem que precisou ser refeita
Mariana havia acabado de iniciar seu estágio em um jornal impresso de circulação regional. Depois de algumas semanas acompanhando jornalistas experientes, recebeu sua primeira pauta individual: produzir uma reportagem sobre um novo programa da prefeitura voltado à geração de empregos para jovens.
Empolgada com a oportunidade, ela pesquisou rapidamente algumas informações no site da prefeitura e marcou uma entrevista com o secretário responsável pelo projeto. Durante a conversa, anotou os principais dados apresentados e, acreditando que já possuía informações suficientes, voltou à redação para escrever a matéria.
Ao elaborar o texto, Mariana utilizou praticamente todas as informações fornecidas pelo secretário, mas deixou de ouvir outros personagens importantes. Não entrevistou jovens que participariam do programa, empresários parceiros nem especialistas em mercado de trabalho. Além disso, reproduziu números apresentados na entrevista sem conferir se estavam atualizados em documentos oficiais.
Na redação da notícia, outro problema apareceu. O primeiro parágrafo era longo e começava contando toda a história da criação do programa antes de explicar o que realmente havia acontecido. As informações principais ficaram espalhadas ao longo do texto, dificultando a compreensão do leitor. O editor percebeu que a reportagem não seguia a estrutura do lead nem a técnica da pirâmide invertida, fundamentais na redação jornalística.
Durante a revisão, a equipe identificou ainda uma informação incorreta: Mariana informou que seriam oferecidas mil vagas de emprego, quando, na verdade, o programa previa inicialmente apenas seiscentas vagas. O erro ocorreu porque ela utilizou um dado divulgado meses antes e não confirmou a informação mais recente com a equipe técnica responsável pelo projeto.
O editor chamou Mariana para conversar e explicou que uma boa reportagem começa muito antes da escrita. É preciso planejar a apuração, consultar documentos, ouvir diferentes fontes, conferir números, fazer perguntas objetivas e somente depois organizar o texto de forma clara e lógica. Também reforçou que rapidez não substitui qualidade e que a credibilidade do jornalista depende da verificação cuidadosa das informações.
Determinada a melhorar, Mariana refez toda a reportagem. Voltou ao local, entrevistou jovens inscritos, conversou com empresários participantes, confirmou os dados em documentos
oficiais e reescreveu o texto utilizando um lead objetivo, seguido das informações complementares em ordem de importância. O resultado foi uma reportagem muito mais completa, equilibrada e confiável, publicada com destaque na editoria de Cidades.
A experiência mostrou à estagiária que uma boa notícia não depende apenas de escrever bem. Ela é construída por meio de uma apuração cuidadosa, entrevistas bem conduzidas, checagem rigorosa das informações e uma redação organizada, capaz de transmitir os fatos com clareza e responsabilidade.
Erros comuns apresentados no caso
Como evitar esses erros