Produção de Morangos

PRODUÇÃO DE MORANGOS

 

Módulo 2 – Manejo da Cultura 

Aula 1 – Nutrição e irrigação 

 

O desenvolvimento saudável do morangueiro depende diretamente de dois fatores que caminham juntos: a nutrição adequada e o fornecimento correto de água. Mesmo utilizando mudas de boa qualidade e um solo bem-preparado, a planta não alcançará seu potencial produtivo se houver deficiência ou excesso de nutrientes e irrigação inadequada. Por isso, compreender essas necessidades é essencial para produzir frutos de boa qualidade e manter a lavoura produtiva durante todo o ciclo.

A nutrição vegetal consiste em fornecer à planta todos os nutrientes necessários para seu crescimento, floração e frutificação. Os macronutrientes, como nitrogênio, fósforo e potássio, são exigidos em maiores quantidades, enquanto cálcio, magnésio, enxofre e os micronutrientes também desempenham funções indispensáveis. Cada elemento participa de processos específicos, como formação das folhas, desenvolvimento das raízes, produção de flores e enchimento dos frutos. Quando algum nutriente está em falta ou em excesso, a planta apresenta sintomas como folhas amareladas, crescimento reduzido, frutos pequenos ou menor produtividade.

Antes do plantio, recomenda-se realizar a análise do solo para conhecer suas características químicas e físicas. Com base nos resultados, é possível corrigir a acidez por meio da calagem e definir a adubação mais adequada para a cultura. Essa prática evita desperdícios de fertilizantes, reduz custos e contribui para um desenvolvimento mais equilibrado das plantas. Durante o ciclo produtivo, novas adubações podem ser realizadas conforme a necessidade da lavoura, sempre respeitando as recomendações técnicas.

Além da adubação tradicional, muitos produtores utilizam a fertirrigação, técnica que consiste na aplicação de fertilizantes dissolvidos na água de irrigação. Esse sistema proporciona maior eficiência na distribuição dos nutrientes, melhora seu aproveitamento pelas raízes e permite ajustes ao longo do ciclo da cultura. Para que funcione corretamente, é importante utilizar água de boa qualidade e manter o sistema de irrigação limpo, evitando o entupimento dos gotejadores.

A irrigação merece atenção especial porque o sistema radicular do morangueiro é superficial e bastante sensível às variações de umidade. A falta de água reduz o crescimento da planta, prejudica a formação das flores e diminui o tamanho dos frutos. Já o excesso favorece doenças nas raízes, reduz a oxigenação do solo e

aumenta o desperdício de água. O objetivo é manter o solo constantemente úmido, mas nunca encharcado.

Entre os sistemas disponíveis, a irrigação por gotejamento é considerada a mais indicada para a cultura do morango. Nesse método, a água é aplicada diretamente na região das raízes, diminuindo perdas por evaporação e reduzindo o molhamento das folhas e frutos, o que contribui para a prevenção de doenças. Além disso, o sistema utiliza a água de forma mais eficiente e facilita a realização da fertirrigação.

O manejo da irrigação deve considerar fatores como temperatura, estágio de desenvolvimento da planta, tipo de solo e condições climáticas. Em dias mais quentes, a necessidade de água costuma aumentar, enquanto períodos chuvosos exigem maior atenção para evitar o excesso de umidade. Monitorar frequentemente o solo e observar o comportamento das plantas ajuda o produtor a realizar ajustes simples que fazem grande diferença na produtividade.

Outro cuidado importante é evitar tanto a deficiência quanto o excesso de fertilizantes. A ideia de que "quanto mais adubo, melhor" é um erro comum entre iniciantes. O uso exagerado pode provocar acúmulo de sais no solo, dificultar a absorção de água pelas raízes e até causar danos às plantas. Da mesma forma, a aplicação insuficiente compromete o crescimento e reduz a produção. O equilíbrio sempre será o melhor caminho para obter uma lavoura saudável e produtiva.

Uma produção de morangos bem conduzida depende da combinação entre irrigação eficiente, adubação equilibrada e monitoramento constante. Esses cuidados favorecem o desenvolvimento uniforme das plantas, aumentam a qualidade dos frutos e reduzem perdas durante todo o ciclo produtivo, tornando a atividade mais sustentável e rentável.

Referências bibliográficas

ANTUNES, Luís Eduardo Corrêa; HOFFMANN, Alexandre (Org.). Pequenas Frutas: o produtor pergunta, a Embrapa responde. Brasília: Embrapa.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Sistema de Produção do Morango. Embrapa Clima Temperado.

MELO, George Wellington Bastos de. Adubação e calagem. In: Pequenas Frutas: o produtor pergunta, a Embrapa responde. Brasília: Embrapa.

REISSER JUNIOR, Carlos; ANTUNES, Luís Eduardo Corrêa. Manejo de irrigação por gotejamento no morangueiro. Campo & Negócios.

FILGUEIRA, Fernando Antônio Reis. Novo Manual de Olericultura: Agrotecnologia Moderna na Produção e Comercialização de Hortaliças. Viçosa: UFV.


Aula 2 – Controle de pragas e doenças

 

Produzir morangos de qualidade exige

atenção constante à saúde das plantas. Durante todo o ciclo de cultivo, o morangueiro pode ser atacado por pragas e doenças que comprometem o desenvolvimento da lavoura, reduzem a produtividade e afetam a qualidade dos frutos. A boa notícia é que muitos desses problemas podem ser evitados por meio de práticas preventivas, monitoramento frequente e adoção do manejo integrado, que prioriza medidas de controle sustentáveis e reduz a necessidade de aplicações químicas.

Entre as principais pragas do morangueiro destacam-se o ácaro-rajado, os pulgões, os tripes, as lagartas e a broca-dos-frutos. Esses organismos alimentam-se das folhas, flores ou frutos, provocando deformações, redução do crescimento e perda da produção. O ácaro-rajado, por exemplo, é considerado uma das pragas mais importantes da cultura em diversas regiões produtoras, podendo causar grandes prejuízos quando não identificado e controlado precocemente.

As doenças também representam um dos maiores desafios para os produtores. Entre as mais frequentes estão o mofo-cinzento, a antracnose, o oídio, a mancha angular e outras doenças fúngicas e bacterianas que podem atacar folhas, flores, frutos e raízes. O mofo-cinzento é especialmente preocupante porque afeta principalmente os frutos próximos à colheita, reduzindo sua qualidade comercial. Já o oídio provoca manchas esbranquiçadas nas folhas e pode comprometer a fotossíntese e o desenvolvimento das plantas.

A prevenção continua sendo a estratégia mais eficiente para reduzir a incidência desses problemas. O uso de mudas sadias, adquiridas em viveiros confiáveis, evita a introdução de diversos patógenos na lavoura. Da mesma forma, escolher áreas bem drenadas, realizar a rotação de culturas quando possível e manter boa ventilação entre as plantas dificulta o desenvolvimento de fungos e bactérias. A limpeza da área de cultivo e a retirada de folhas, frutos e plantas doentes também reduzem as fontes de contaminação.

Outro conceito fundamental é o Manejo Integrado de Pragas (MIP). Em vez de depender exclusivamente de defensivos agrícolas, o MIP combina diferentes estratégias de controle, como monitoramento da lavoura, controle biológico, práticas culturais e uso criterioso de produtos registrados para a cultura somente quando realmente necessário. Esse método reduz impactos ambientais, preserva organismos benéficos e contribui para uma produção mais segura e sustentável.

O monitoramento deve fazer parte da rotina do produtor. Observar regularmente folhas,

flores e frutos permite identificar alterações ainda no início, quando o controle costuma ser mais simples e eficiente. Pequenas manchas, folhas enroladas, presença de insetos ou alterações na coloração das plantas podem indicar que algum problema está começando. Quanto mais cedo a identificação ocorrer, menores tendem a ser os prejuízos para a produção.

A irrigação também influencia diretamente na ocorrência de doenças. O excesso de umidade favorece a proliferação de fungos, principalmente quando as folhas permanecem molhadas por longos períodos. Por isso, a irrigação por gotejamento é amplamente recomendada, pois fornece água diretamente às raízes, reduzindo o molhamento da parte aérea das plantas e criando um ambiente menos favorável ao desenvolvimento de doenças. A cobertura plástica dos canteiros também ajuda a impedir que os frutos entrem em contato com o solo úmido.

Outro cuidado importante é evitar o uso indiscriminado de defensivos agrícolas. Além de aumentar os custos da produção, aplicações desnecessárias podem favorecer o surgimento de resistência das pragas e comprometer organismos benéficos responsáveis pelo equilíbrio natural da lavoura. Sempre que houver necessidade de controle químico, devem ser utilizados produtos registrados para a cultura, seguindo rigorosamente as orientações técnicas e os períodos de carência antes da colheita.

Em resumo, uma lavoura saudável resulta da combinação entre prevenção, observação constante e manejo adequado. O produtor que acompanha sua plantação regularmente consegue identificar problemas com antecedência, agir de forma mais eficiente e produzir morangos de melhor qualidade, com menor desperdício e maior segurança para o consumidor.

Referências bibliográficas

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Agência de Informação Tecnológica – Cultivo do Morango.

SIMÕES, Juliana Carvalho; FADINI, Marcos Antônio Matiello; VENZON, Madelaine. Manejo Integrado de Pragas na Cultura do Morango. Informe Agropecuário.

ANTUNES, Luís Eduardo Corrêa. Sistema de Produção do Morango. Embrapa Clima Temperado.

FILGUEIRA, Fernando Antônio Reis. Novo Manual de Olericultura: Agrotecnologia Moderna na Produção e Comercialização de Hortaliças. Viçosa: UFV.

REISSER JÚNIOR, Carlos; ANTUNES, Luís Eduardo Corrêa. Produção de Morangos: Boas Práticas Agrícolas. Embrapa Clima Temperado.


Aula 3 – Manejo diário da produção

 

Após a implantação da lavoura, o sucesso da produção depende dos cuidados realizados diariamente. O manejo contínuo

permite manter as plantas saudáveis, reduzir perdas e favorecer a formação de frutos de melhor qualidade. Pequenas ações executadas de forma correta e no momento adequado fazem grande diferença na produtividade e ajudam a evitar problemas que poderiam comprometer toda a safra. A rotina do produtor deve incluir observação constante da lavoura, limpeza das plantas, monitoramento das condições ambientais e registro das atividades realizadas.

Um dos principais cuidados é a retirada de folhas velhas, secas ou doentes. Essas folhas deixam de contribuir para o desenvolvimento da planta e podem servir de abrigo para fungos, bactérias e insetos. A poda de limpeza melhora a circulação de ar entre as plantas, reduz a umidade excessiva e favorece a entrada de luz, criando um ambiente menos favorável ao surgimento de doenças. Além disso, restos vegetais retirados da lavoura não devem permanecer sobre os canteiros, pois podem se tornar fontes de contaminação.

Outro manejo importante é o controle dos estolões. Os estolões são estruturas que a planta produz naturalmente para formar novas mudas. Embora sejam úteis para a propagação do morangueiro, quando o objetivo é produzir frutos comerciais, eles competem por água e nutrientes. Por isso, recomenda-se retirar os estolões durante o ciclo produtivo, direcionando a energia da planta para a floração e o desenvolvimento dos frutos.

A polinização também exerce influência direta sobre a qualidade da produção. As flores do morangueiro precisam ser bem polinizadas para formar frutos uniformes e com bom tamanho. Em ambientes abertos, esse trabalho é realizado principalmente por abelhas e outros insetos polinizadores. Já em cultivos protegidos, é importante favorecer a entrada desses agentes ou utilizar estratégias que garantam uma polinização eficiente. Uma polinização inadequada pode resultar em frutos deformados e menor valor comercial.

O monitoramento diário da lavoura permite identificar rapidamente qualquer alteração nas plantas. Folhas com manchas, frutos danificados, presença de insetos, crescimento irregular ou mudanças na coloração podem indicar problemas nutricionais, pragas ou doenças. Quanto mais cedo esses sinais forem percebidos, mais simples será adotar medidas corretivas e evitar prejuízos maiores. O acompanhamento frequente reduz a necessidade de intervenções mais complexas e contribui para uma produção mais sustentável.

Outro hábito essencial é manter registros de todas as operações realizadas na lavoura. Anotar datas

hábito essencial é manter registros de todas as operações realizadas na lavoura. Anotar datas de irrigação, adubações, podas, monitoramento de pragas, colheitas e demais atividades facilita o acompanhamento da produção e auxilia na tomada de decisões. Esses registros permitem avaliar os resultados obtidos em cada safra, identificar pontos de melhoria e atender às exigências de programas de boas práticas agrícolas e rastreabilidade.

As boas práticas agrícolas envolvem ainda a higiene durante todas as atividades. Ferramentas devem permanecer limpas, caixas de colheita precisam ser higienizadas regularmente e os trabalhadores devem adotar cuidados com a higiene pessoal para evitar a contaminação dos frutos. Também é importante evitar o trânsito desnecessário entre áreas contaminadas e áreas sadias da lavoura, reduzindo o risco de disseminação de doenças.

O produtor também deve observar diariamente as condições do ambiente de cultivo. Em estufas, por exemplo, é necessário controlar a ventilação e a temperatura para evitar excesso de calor e umidade. No campo, deve-se acompanhar as condições climáticas para ajustar a irrigação e antecipar medidas de proteção quando houver previsão de chuvas intensas ou temperaturas extremas. Essas ações ajudam a manter o equilíbrio do cultivo e favorecem o desenvolvimento saudável das plantas.

Em resumo, o manejo diário é um conjunto de cuidados simples, porém indispensáveis para o sucesso da produção de morangos. A observação constante, a poda de limpeza, a retirada dos estolões, o monitoramento da lavoura e a adoção de boas práticas agrícolas contribuem para plantas mais vigorosas, frutos de melhor qualidade e uma produção mais eficiente e sustentável.

Referências bibliográficas

ANTUNES, Luís Eduardo Corrêa; REISSER JÚNIOR, Carlos; SCHWENGBER, José Ernani (Org.). Morangueiro. Brasília: Embrapa.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Agência de Informação Tecnológica – Cultivo do Morango.

MELO, George Wellington Bastos de et al. Boas Práticas na Cultura do Morangueiro. Porto Alegre: Sebrae/RS.

ANTUNES, Luís Eduardo Corrêa (Org.). 500 Perguntas, 500 Respostas – Pequenas Frutas. Brasília: Embrapa.

FILGUEIRA, Fernando Antônio Reis. Novo Manual de Olericultura: Agrotecnologia Moderna na Produção e Comercialização de Hortaliças. Viçosa: UFV.


Estudo de Caso – Módulo 2: Quando pequenos descuidos comprometem uma grande produção

 

Mariana iniciou sua primeira safra de morangos após concluir o preparo da área e implantar uma

pequena estufa. As mudas apresentavam bom desenvolvimento e a expectativa era de uma colheita abundante. Nas primeiras semanas, ela irrigava diariamente, aplicava fertilizantes regularmente e acreditava que quanto mais cuidados oferecesse às plantas, maior seria a produção.

Com o passar do tempo, começaram a surgir alguns problemas. Algumas folhas apresentavam manchas, outras ficavam enroladas e parte dos frutos passou a amadurecer com deformações e pontos escuros. Como não realizava inspeções frequentes na lavoura, Mariana percebeu o problema apenas quando várias plantas já estavam comprometidas.

Ao procurar orientação técnica, verificou-se que havia mais de um fator contribuindo para as perdas. A irrigação permanecia ligada por tempo excessivo, mantendo o ambiente muito úmido e favorecendo o desenvolvimento de doenças fúngicas. Além disso, a adubação estava sendo realizada sem considerar a necessidade real das plantas, provocando desequilíbrio nutricional. Durante a vistoria também foi identificada a presença de ácaros e tripes, cuja população aumentou porque o monitoramento da lavoura não era realizado regularmente. O manejo integrado de pragas recomenda justamente o acompanhamento frequente das plantas e a adoção de medidas preventivas antes que o problema se torne grave.

Com apoio técnico, Mariana reorganizou completamente o manejo da propriedade. O tempo de irrigação foi ajustado conforme as condições climáticas e a umidade do solo. A adubação passou a seguir os resultados da análise do solo e as necessidades da cultura em cada fase do desenvolvimento. Também implantou uma rotina semanal de inspeção das plantas, registrando a presença de pragas, sintomas de doenças e as operações realizadas na lavoura. As folhas secas e os frutos doentes passaram a ser retirados imediatamente, reduzindo as fontes de contaminação. Essas práticas fazem parte das boas práticas agrícolas e da produção integrada do morango, que valorizam o monitoramento, a rastreabilidade e o uso racional de insumos.

Poucos meses depois, os resultados apareceram. A incidência de doenças diminuiu, as plantas apresentaram crescimento mais uniforme e os frutos passaram a ter melhor aparência, firmeza e qualidade. Além do aumento da produtividade, Mariana reduziu gastos com produtos de controle e percebeu que a prevenção era muito mais eficiente e econômica do que corrigir problemas já instalados.

Esse caso demonstra que o manejo diário da lavoura exige equilíbrio. Produzir morangos de qualidade

não significa apenas irrigar e adubar, mas observar constantemente as plantas, interpretar os sinais que elas apresentam e tomar decisões baseadas em boas práticas agrícolas e monitoramento contínuo.

Erros comuns observados

  • Irrigar em excesso, favorecendo o surgimento de doenças.
  • Aplicar fertilizantes sem critérios técnicos.
  • Não monitorar regularmente a presença de pragas e doenças.
  • Manter folhas e frutos doentes na lavoura.
  • Registrar poucas informações sobre o manejo realizado.

Como evitar esses erros

  • Ajustar a irrigação conforme a necessidade da cultura e as condições climáticas.
  • Basear a adubação em análise do solo e recomendações técnicas.
  • Inspecionar a lavoura frequentemente para identificar problemas ainda no início.
  • Remover imediatamente folhas, frutos e plantas com sintomas de doenças.
  • Manter registros atualizados das irrigações, adubações, monitoramentos e demais práticas de manejo para facilitar a tomada de decisões e melhorar a gestão da produção.
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