Produção de Morangos

PRODUÇÃO DE MORANGOS

 

Módulo 1 – Fundamentos da Produção de Morangos 

Aula 1 – Conhecendo a cultura do morango 

 

O morango é uma das pequenas frutas mais apreciadas no mundo devido ao seu sabor, aroma e versatilidade. Pode ser consumido fresco ou utilizado na produção de doces, geleias, sorvetes, iogurtes, sucos e diversas receitas da culinária. No Brasil, a cultura do morango vem ganhando cada vez mais importância econômica, principalmente por oferecer boa rentabilidade em pequenas propriedades rurais e por gerar empregos durante praticamente todo o ciclo produtivo. A atividade é desenvolvida, em grande parte, por agricultores familiares, que encontram na cultura uma alternativa para diversificar a produção e aumentar a renda da propriedade.

O morangueiro pertence à família Rosaceae e é uma planta herbácea de pequeno porte. Seu sistema radicular é relativamente superficial, exigindo solos bem-preparados, férteis e com boa drenagem. A planta produz folhas, flores e frutos continuamente durante parte do ano, dependendo da cultivar utilizada e das condições climáticas. Embora o fruto seja conhecido popularmente como uma fruta, do ponto de vista botânico ele é considerado um pseudofruto, pois a parte carnosa se desenvolve a partir do receptáculo floral, enquanto os pequenos pontos visíveis em sua superfície são os verdadeiros frutos, chamados aquênios.

A produção de morangos está presente em diversas regiões brasileiras. Estados como Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Distrito Federal destacam-se pelo cultivo, favorecidos por condições climáticas adequadas e pelo desenvolvimento de tecnologias adaptadas às diferentes regiões. Nos últimos anos, a adoção de sistemas de cultivo protegido, como estufas e túneis baixos, contribuiu para aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos frutos e reduzir perdas causadas pelas condições climáticas.

Outro aspecto importante é a escolha da variedade. Existem diversas cultivares disponíveis, cada uma com características específicas relacionadas ao tamanho dos frutos, produtividade, sabor, resistência a doenças e adaptação ao clima. A seleção correta da cultivar influencia diretamente o sucesso da produção, sendo recomendável optar por materiais adaptados à região de cultivo e provenientes de viveiros confiáveis, garantindo mudas sadias e de boa qualidade.

Além do cultivo convencional em solo, atualmente existem diferentes sistemas de produção. O cultivo protegido reduz a incidência de chuvas

sobre as plantas, facilita o controle do ambiente e melhora a qualidade dos frutos. Já os sistemas suspensos e sem solo vêm sendo adotados por muitos produtores devido à facilidade de manejo, maior conforto durante a colheita e menor contato dos frutos com o solo, reduzindo problemas sanitários e aumentando a qualidade comercial.

O mercado consumidor também evoluiu significativamente. Hoje, os consumidores valorizam frutos de boa aparência, sabor adocicado, firmeza, segurança alimentar e produção sustentável. Isso faz com que produtores invistam cada vez mais em boas práticas agrícolas, manejo adequado da irrigação, controle integrado de pragas e rastreabilidade da produção. Essas ações aumentam a confiança do consumidor e agregam valor ao produto.

Para quem está iniciando na atividade, compreender as características da cultura é o primeiro passo para uma produção bem-sucedida. Conhecer a planta, entender suas necessidades e acompanhar as inovações tecnológicas permite reduzir erros, melhorar a produtividade e produzir morangos com maior qualidade, competitividade e sustentabilidade.

Referências bibliográficas

ANTUNES, Luís Eduardo Corrêa; BONOW, Sandro; SCHWENGBER, José Ernani. Morango: genética e nova dinâmica de mercado. Campo & Negócios, Anuário HF, 2026.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Agência de Informação Tecnológica – Cultivo do Morango. Brasília: Embrapa.

ANTUNES, Luís Eduardo Corrêa et al. Produção integrada do morangueiro. Embrapa Clima Temperado.

FILGUEIRA, Fernando Antônio Reis. Novo Manual de Olericultura: Agrotecnologia Moderna na Produção e Comercialização de Hortaliças. Viçosa: UFV.

TAZZO, Ivan Fernando et al. Tecnologias para a produção de morangos no Brasil. Embrapa Clima Temperado.


Aula 2 – Planejamento da produção

 

O sucesso na produção de morangos começa muito antes do plantio das mudas. Um bom planejamento permite reduzir custos, evitar problemas durante o cultivo e aumentar as chances de obter frutos de qualidade. Antes de iniciar a implantação da lavoura, é importante avaliar cuidadosamente as condições da propriedade, o clima da região, a disponibilidade de água, a infraestrutura existente e o mercado para comercialização. Quanto mais organizado for esse processo, menores serão os riscos e maiores as possibilidades de sucesso.

A escolha da área de cultivo é uma das decisões mais importantes. O morangueiro desenvolve-se melhor em locais com boa incidência de luz solar, ventilação adequada e fácil acesso para manejo e

transporte da produção. Também é fundamental que o terreno apresente boa drenagem, evitando o acúmulo de água próximo às raízes, situação que favorece o aparecimento de doenças e reduz o desenvolvimento das plantas. Em áreas sujeitas a ventos intensos, recomenda-se utilizar barreiras naturais ou quebra-ventos para proteger a lavoura.

Outro fator decisivo é o clima. O morango adapta-se melhor a temperaturas amenas, característica que explica sua maior concentração de produção em regiões de altitude ou durante períodos mais frescos do ano. Em locais de temperaturas elevadas, o cultivo protegido em estufas ou túneis pode ajudar a reduzir os efeitos do calor excessivo, proporcionando um ambiente mais favorável ao crescimento das plantas e à formação de frutos de melhor qualidade.

O solo também merece atenção especial. O morangueiro prefere solos férteis, ricos em matéria orgânica, bem estruturados e com boa capacidade de drenagem. Antes do plantio, é indispensável realizar uma análise do solo para identificar possíveis deficiências nutricionais e a necessidade de correção da acidez. Essa prática permite aplicar calcário e fertilizantes de forma equilibrada, evitando desperdícios e proporcionando melhores condições para o desenvolvimento da cultura. Em geral, recomenda-se um pH entre 5,5 e 6,0 para favorecer a absorção dos nutrientes pelas plantas.

O planejamento da irrigação também faz parte da implantação da produção. Como o sistema radicular do morangueiro é superficial, a planta necessita de fornecimento regular de água, sem excessos. O sistema de irrigação por gotejamento é amplamente utilizado por distribuir água diretamente na região das raízes, reduzindo desperdícios, economizando recursos hídricos e diminuindo a incidência de doenças relacionadas ao excesso de umidade nas folhas e frutos. Além disso, esse sistema facilita a aplicação de fertilizantes por meio da fertirrigação quando necessário.

Outro aspecto importante é definir o tamanho inicial da produção. Muitos iniciantes acreditam que plantar uma grande quantidade de mudas é sinônimo de maior lucro. No entanto, iniciar com uma área compatível com a mão de obra disponível permite adquirir experiência, aprender a manejar corretamente a cultura e controlar melhor os custos. À medida que o produtor ganha conhecimento e segurança, a expansão da produção pode ocorrer de forma gradual e planejada.

Também é necessário considerar os recursos disponíveis para aquisição de mudas, sistema de irrigação, cobertura

dos canteiros, insumos, embalagens e equipamentos básicos. Um planejamento financeiro simples ajuda a estimar os investimentos iniciais, prever despesas ao longo do ciclo produtivo e calcular o retorno esperado. Essa organização contribui para decisões mais conscientes e reduz o risco de dificuldades financeiras durante a produção.

Por fim, planejar significa antecipar desafios. Avaliar as condições ambientais, preparar corretamente o solo, escolher boas mudas e organizar cada etapa do cultivo cria uma base sólida para o desenvolvimento da lavoura. Na produção de morangos, a prevenção costuma ser muito mais eficiente e econômica do que corrigir problemas depois que eles já se instalaram.

Referências bibliográficas

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Agência de Informação Tecnológica – Cultivo do Morango.

GONÇALVES, Michél Aldrighi; VIGNOLO, Gerson Kleinick; ANTUNES, Luís Eduardo Corrêa; REISSER JUNIOR, Carlos. Produção de Morango Fora do Solo. Pelotas: Embrapa Clima Temperado.

SANTOS, Antônio Maria dos. A Cultura do Morango. Brasília: Embrapa-SPI.

FILGUEIRA, Fernando Antônio Reis. Novo Manual de Olericultura: Agrotecnologia Moderna na Produção e Comercialização de Hortaliças. Viçosa: UFV.

ANTUNES, Luís Eduardo Corrêa. Produção Integrada de Morangos. Embrapa Clima Temperado.

 

Aula 3 – Infraestrutura e implantação da lavoura

 

A implantação da lavoura é uma das etapas mais importantes da produção de morangos. Um cultivo bem planejado, com infraestrutura adequada e mudas de qualidade, favorece o desenvolvimento saudável das plantas, reduz problemas durante o ciclo produtivo e aumenta a produtividade. Investir tempo na preparação da área é uma forma de evitar perdas e garantir melhores resultados ao longo da safra.

Existem diferentes sistemas de cultivo que podem ser adotados conforme as condições da propriedade, o investimento disponível e os objetivos do produtor. O sistema tradicional utiliza canteiros elevados diretamente no solo e continua sendo bastante empregado devido ao menor custo de implantação. Já os sistemas suspensos, em bancadas ou calhas, vêm conquistando espaço por facilitarem o manejo, melhorarem as condições ergonômicas de trabalho e reduzirem o contato dos frutos com o solo, contribuindo para a obtenção de morangos mais limpos e com menor incidência de doenças.

O cultivo protegido, realizado em túneis baixos ou estufas, também tem se tornado cada vez mais comum. Essas estruturas ajudam a proteger as plantas contra chuvas intensas,

granizo e ventos fortes, além de proporcionar maior controle da temperatura e da umidade do ambiente. Como consequência, é possível reduzir perdas causadas por doenças, aumentar a qualidade dos frutos e prolongar o período de produção. Entretanto, essas estruturas exigem monitoramento constante da ventilação e da temperatura para evitar o excesso de calor no interior da estufa.

Independentemente do sistema escolhido, a preparação dos canteiros merece atenção especial. Os canteiros devem ser elevados, bem nivelados e construídos em solo previamente corrigido e adubado conforme análise química. A elevação melhora a drenagem, evita o encharcamento das raízes e favorece o desenvolvimento da planta. Em muitos sistemas, utiliza-se cobertura plástica sobre os canteiros, técnica conhecida como mulching, que ajuda a conservar a umidade, reduz o crescimento de plantas invasoras e evita que os frutos tenham contato direto com o solo.

Outro fator essencial é a escolha das mudas. O sucesso da produção depende, em grande parte, da utilização de mudas sadias, vigorosas e adquiridas de viveiros confiáveis. Mudas de baixa qualidade podem introduzir doenças na lavoura, comprometer o desenvolvimento das plantas e reduzir significativamente a produtividade. Antes do plantio, é importante observar se as mudas apresentam raízes bem desenvolvidas, folhas saudáveis e ausência de sinais de pragas ou enfermidades.

O plantio deve ser realizado com bastante cuidado. A cova precisa acomodar todo o sistema radicular sem dobrar as raízes. A coroa da planta, região de onde surgem folhas e raízes, deve permanecer na superfície do solo. Quando a muda é plantada muito profundamente, seu desenvolvimento pode ser prejudicado; quando fica muito exposta, as raízes podem desidratar. Após o plantio, recomenda-se realizar uma irrigação leve para favorecer o contato entre o solo e as raízes, facilitando o pegamento das mudas.

Além da área de cultivo, alguns equipamentos básicos facilitam o trabalho diário. Entre eles destacam-se o sistema de irrigação por gotejamento, ferramentas para preparo dos canteiros, pulverizadores, caixas para colheita, tesouras de poda e equipamentos de proteção individual. A organização desses recursos melhora a eficiência das atividades e contribui para um manejo mais seguro e produtivo.

Por fim, a implantação da lavoura deve ser encarada como um investimento de longo prazo. Um bom planejamento da infraestrutura, aliado à correta preparação do solo, à escolha de mudas de

qualidade e ao plantio adequado, cria as condições necessárias para que a cultura se desenvolva de forma saudável. Os cuidados adotados nessa fase inicial refletem diretamente na produtividade, na qualidade dos frutos e na rentabilidade da produção.

Referências bibliográficas

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Agência de Informação Tecnológica – Cultivo do Morango.

BERNARDI, João. Produção de morango em estufa. Embrapa Uva e Vinho.

ANTUNES, Luís Eduardo Corrêa; BONOW, Sandro. Tecnologias para a Produção de Morangos. Embrapa Clima Temperado.

SANTOS, Antônio Maria dos. A Cultura do Morango. Brasília: Embrapa-SPI.

FILGUEIRA, Fernando Antônio Reis. Novo Manual de Olericultura: Agrotecnologia Moderna na Produção e Comercialização de Hortaliças. Viçosa: UFV.


Estudo de Caso – Módulo 1: O início da produção e as decisões que fazem a diferença

 

João sempre sonhou em produzir morangos na pequena propriedade da família. Depois de pesquisar sobre o bom preço da fruta e observar o crescimento da procura por produtos frescos, decidiu iniciar a atividade. Animado, comprou centenas de mudas e preparou rapidamente uma área disponível no sítio, acreditando que bastava plantar e aguardar a colheita.

Nas primeiras semanas, tudo parecia caminhar bem. As plantas começaram a emitir novas folhas e o desenvolvimento inicial era promissor. No entanto, com a chegada de um período de chuvas, surgiram os primeiros problemas. Algumas mudas morreram, outras apresentaram folhas amareladas e várias plantas cresceram lentamente. Quando os primeiros frutos apareceram, muitos eram pequenos, deformados ou apresentavam sinais de podridão.

Preocupado, João procurou a assistência técnica local. Durante a visita, o técnico identificou diversos erros que haviam comprometido o início da lavoura. O primeiro deles foi a escolha da área de plantio. O terreno possuía pouca drenagem e acumulava água após as chuvas, condição desfavorável para o desenvolvimento do morangueiro. Também foi constatado que não havia sido realizada análise do solo antes da implantação da cultura, impossibilitando a correção da acidez e o fornecimento equilibrado de nutrientes. Além disso, as mudas foram adquiridas sem comprovação de origem, aumentando o risco de introdução de doenças na lavoura. A literatura técnica da Embrapa destaca justamente a importância da escolha adequada da área, da análise do solo e do uso de mudas de qualidade como etapas fundamentais para o sucesso do cultivo.

Após receber as orientações,

João decidiu recomeçar parte da produção. Realizou uma análise química do solo, corrigiu o pH conforme a recomendação técnica, construiu canteiros elevados para melhorar a drenagem e instalou irrigação por gotejamento. Também adquiriu mudas certificadas de um viveiro especializado e implantou cobertura plástica sobre os canteiros para reduzir o contato dos frutos com o solo e controlar plantas daninhas. Essas práticas estão entre as principais recomendações para a implantação de uma lavoura mais produtiva e sustentável.

Na safra seguinte, os resultados foram bastante diferentes. As plantas apresentaram crescimento uniforme, houve redução na incidência de doenças e a qualidade dos frutos melhorou significativamente. A produção tornou-se mais organizada, os custos com perdas diminuíram e João conseguiu comercializar morangos de melhor padrão, conquistando novos clientes.

Esse caso demonstra que o sucesso na produção de morangos não depende apenas da dedicação do produtor, mas principalmente de um bom planejamento. Conhecer as características da cultura, preparar corretamente a área e seguir as recomendações técnicas são atitudes que reduzem riscos e aumentam as chances de obter uma produção saudável e rentável.

Erros comuns observados

  • Escolher uma área com drenagem inadequada.
  • Plantar sem realizar análise e correção do solo.
  • Comprar mudas de origem desconhecida.
  • Implantar a lavoura sem planejamento da irrigação.
  • Acreditar que aumentar a quantidade de mudas garante maior lucro logo na primeira safra.

Como evitar esses erros

  • Selecionar áreas bem drenadas, com boa incidência de luz solar e fácil acesso.
  • Realizar análise do solo antes do plantio e seguir as recomendações de correção e adubação.
  • Utilizar mudas sadias e provenientes de viveiros confiáveis.
  • Planejar previamente o sistema de irrigação, preferencialmente por gotejamento.
  • Iniciar a produção em uma área compatível com a experiência e os recursos disponíveis, ampliando o cultivo de forma gradual à medida que o conhecimento e a segurança aumentam.
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