Pisos Revestimentos

PISOS REVESTIMENTOS

 

Módulo 2 – Técnicas Básicas de Assentamento

Aula 1 – Preparação da superfície

 

Quando observamos um piso ou uma parede recém-revestidos, normalmente nossa atenção está voltada para o acabamento, o alinhamento das peças e a beleza do ambiente. No entanto, a qualidade de um revestimento começa muito antes do assentamento. A etapa de preparação da superfície é um dos fatores que mais influenciam a durabilidade do serviço e, quando negligenciada, pode provocar descolamentos, trincas, infiltrações e necessidade de retrabalho.

A superfície que receberá o revestimento, também chamada de base ou substrato, precisa apresentar condições adequadas para garantir a aderência da argamassa colante. Isso significa que ela deve estar firme, limpa, seca quando necessário, nivelada e livre de materiais que possam prejudicar a fixação das placas, como poeira, óleo, tinta solta, graxa ou resíduos de gesso. Estudos sobre patologias em revestimentos cerâmicos mostram que falhas na preparação da base estão entre as principais causas de problemas após a conclusão da obra.

Antes de iniciar qualquer trabalho, o profissional deve fazer uma inspeção cuidadosa da superfície. É importante verificar se existem rachaduras, partes ocas, desníveis, umidade excessiva ou regiões com baixa resistência. Ignorar esses detalhes pode comprometer todo o revestimento, mesmo quando são utilizados materiais de boa qualidade.

Outro cuidado essencial é conferir o nivelamento da base. Pisos e paredes muito irregulares dificultam o alinhamento das peças e aumentam o consumo de argamassa. Quando necessário, a regularização deve ser realizada antes do assentamento, permitindo que o revestimento seja instalado sobre uma superfície uniforme. Essa etapa facilita o trabalho, melhora o acabamento e reduz o desperdício de materiais.

A limpeza da superfície também merece atenção. Muitas vezes, pequenas partículas de poeira ou restos de obra parecem inofensivos, mas podem impedir o contato adequado entre a argamassa e a base. Da mesma forma, superfícies contaminadas com óleo, gordura ou produtos químicos reduzem significativamente a aderência do revestimento. Por isso, a limpeza deve ser realizada antes da aplicação da argamassa, utilizando métodos compatíveis com cada situação.

Além da base, as próprias placas cerâmicas devem estar em boas condições de uso. Elas precisam estar limpas e livres de poeira ou partículas que possam prejudicar a aderência. Também é recomendável conferir se todas pertencem

ao mesmo lote, pois pequenas diferenças de tonalidade ou dimensão podem comprometer a uniformidade do acabamento. As normas técnicas de assentamento orientam que as peças sejam verificadas antes da instalação para evitar problemas durante a execução.

Outro aspecto importante é o planejamento da paginação. Antes de espalhar a argamassa, o profissional deve realizar medições e definir como as peças serão distribuídas no ambiente. Esse planejamento ajuda a reduzir cortes desnecessários, melhora a simetria do revestimento e proporciona um acabamento visual mais harmonioso. Também permite identificar antecipadamente possíveis dificuldades em cantos, portas, pilares e outros elementos da construção.

Durante essa etapa, é comum utilizar ferramentas como trena, nível, régua de alumínio, linha de marcação e esquadro. Esses instrumentos auxiliam na conferência das medidas e permitem que o assentamento seja iniciado de maneira organizada. Pequenos cuidados nessa fase evitam erros que seriam difíceis de corrigir após a aplicação das peças.

Também é importante respeitar o tempo de cura de camadas como contrapiso, chapisco ou emboço antes de iniciar o revestimento. Assentar placas sobre uma base ainda instável ou excessivamente úmida pode provocar movimentações, perda de aderência e aparecimento de fissuras ao longo do tempo. Seguir as recomendações técnicas do fabricante dos materiais e das normas aplicáveis é uma forma de aumentar a vida útil do revestimento.

Para quem está iniciando na profissão, pode parecer que a preparação da superfície é uma etapa demorada. No entanto, dedicar alguns minutos para avaliar a base costuma evitar horas de retrabalho no futuro. Um bom assentamento não depende apenas da habilidade do profissional, mas principalmente da qualidade da superfície que receberá o revestimento.

Em resumo, preparar corretamente a base significa criar as condições ideais para que a argamassa desempenhe sua função e as placas permaneçam firmes durante muitos anos. Esse cuidado representa um dos primeiros passos para executar um serviço seguro, durável e com acabamento de qualidade.

Referências bibliográficas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13753: Revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas e utilização de argamassa colante – Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13754: Revestimento de paredes internas com placas cerâmicas e utilização de argamassa colante – Procedimento. Rio de Janeiro:

Rio de Janeiro: ABNT.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13755: Revestimento de fachadas com placas cerâmicas e utilização de argamassa colante – Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CERÂMICA (ABCERAM). Normas Técnicas para Placas Cerâmicas e Revestimentos. São Paulo: ABCERAM.

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO. Manifestações Patológicas no Assentamento de Revestimentos Cerâmicos. São Paulo: PUC-SP.

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL (SENAI). Assentamento de Revestimentos Cerâmicos. Brasília: SENAI.

Aula 2 – Argamassas e técnicas de aplicação

 

A argamassa colante é um dos materiais mais importantes no assentamento de pisos e revestimentos. Ela é responsável por unir a placa cerâmica ou o porcelanato à base de forma segura e durável. Quando utilizada corretamente, proporciona aderência, estabilidade e resistência às movimentações naturais da construção. Por outro lado, uma escolha inadequada ou uma aplicação incorreta pode provocar descolamentos, trincas e outros problemas que comprometem a qualidade do serviço. As normas técnicas brasileiras destacam que a seleção da argamassa deve considerar o tipo de revestimento, o ambiente de instalação e as condições de uso da superfície.

As argamassas colantes são produtos industrializados compostos por cimento Portland, agregados minerais e aditivos químicos. Após a adição da quantidade correta de água, forma-se uma mistura plástica que facilita o assentamento das placas e garante sua fixação. A presença dos aditivos melhora características como aderência, trabalhabilidade e tempo disponível para aplicação, tornando o produto mais eficiente do que as antigas argamassas preparadas apenas com cimento e areia.

No mercado brasileiro, as argamassas são classificadas principalmente como AC-I, AC-II e AC-III. A argamassa AC-I é indicada para ambientes internos com menores solicitações mecânicas e pouca variação de temperatura. Já a AC-II apresenta maior resistência e pode ser utilizada tanto em áreas internas quanto externas, suportando melhor a ação da umidade e das mudanças climáticas. A AC-III possui desempenho superior e é recomendada para situações mais exigentes, como fachadas, piscinas, porcelanatos de grandes formatos e locais sujeitos a elevadas variações térmicas. Algumas versões também apresentam características especiais, como maior tempo em aberto ou menor deslizamento das peças.

Escolher a argamassa correta é uma das decisões mais importantes durante o

planejamento da obra. Não basta selecionar o produto pelo preço ou pela disponibilidade. O profissional deve observar o tipo de revestimento, o tamanho das placas, o local onde serão instaladas e as recomendações presentes na embalagem. Utilizar uma argamassa inadequada pode reduzir a aderência e aumentar o risco de falhas ao longo do tempo.

Depois de escolher o produto adequado, é necessário preparar corretamente a mistura. A água deve ser adicionada na quantidade indicada pelo fabricante, evitando tanto o excesso quanto a falta. Uma argamassa muito líquida perde resistência e dificulta o assentamento, enquanto uma mistura muito seca reduz a aderência e compromete o preenchimento da superfície. A homogeneização deve ser completa para que todos os componentes sejam distribuídos de maneira uniforme.

Também é importante respeitar o tempo de descanso da mistura, quando indicado pelo fabricante. Esse período permite a hidratação adequada dos componentes e melhora o desempenho do produto durante a aplicação. Após esse intervalo, a argamassa deve ser misturada novamente antes do uso.

A aplicação é feita com uma desempenadeira dentada. Os dentes da ferramenta distribuem a argamassa em cordões uniformes, favorecendo o contato entre a placa e a base. O tamanho da desempenadeira deve ser compatível com as dimensões do revestimento. Placas maiores exigem desempenadeiras com dentes maiores para garantir cobertura suficiente e boa aderência.

Outro cuidado importante é trabalhar em pequenas áreas por vez. A argamassa possui um tempo limitado para receber as peças após ser espalhada sobre a superfície. Se esse tempo for ultrapassado, forma-se uma película superficial que reduz significativamente a aderência. Por isso, o profissional deve espalhar apenas a quantidade que consiga utilizar dentro do período recomendado pelo fabricante.

Em revestimentos de grandes formatos ou em situações que exigem maior desempenho, pode ser necessária a dupla colagem. Nessa técnica, a argamassa é aplicada tanto na base quanto no verso da placa, aumentando a área de contato e melhorando a fixação. Essa prática é amplamente recomendada para porcelanatos de grandes dimensões e para locais sujeitos a maiores esforços mecânicos.

Após posicionar a peça, ela deve ser pressionada e movimentada levemente para promover o esmagamento dos cordões de argamassa e eliminar espaços vazios. Em seguida, o profissional verifica o alinhamento, o nivelamento e o espaçamento antes que a argamassa inicie seu processo

deve ser pressionada e movimentada levemente para promover o esmagamento dos cordões de argamassa e eliminar espaços vazios. Em seguida, o profissional verifica o alinhamento, o nivelamento e o espaçamento antes que a argamassa inicie seu processo de endurecimento.

Um erro comum entre iniciantes é adicionar mais água à argamassa quando ela começa a endurecer no balde. Essa prática altera suas características e reduz o desempenho do produto. Quando o tempo de utilização for ultrapassado, a recomendação é descartar o material restante e preparar uma nova mistura.

Também é importante evitar caminhar sobre o revestimento antes do tempo de cura indicado. A movimentação precoce pode deslocar as peças, comprometer o alinhamento e reduzir a aderência da argamassa. Cada fabricante informa o período adequado para liberação da área e início do rejuntamento.

Em resumo, a qualidade do assentamento depende diretamente da correta escolha da argamassa e da aplicação cuidadosa de cada etapa. Conhecer os diferentes tipos de produtos, preparar a mistura corretamente e respeitar as recomendações técnicas são atitudes que aumentam a durabilidade do revestimento, reduzem o retrabalho e garantem um acabamento de melhor qualidade.

Referências bibliográficas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14081-1: Argamassa colante industrializada para assentamento de placas cerâmicas — Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13753: Revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas e utilização de argamassa colante — Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13754: Revestimento de paredes internas com placas cerâmicas e utilização de argamassa colante — Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT.

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO. Manifestações Patológicas no Assentamento de Revestimentos Cerâmicos. São Paulo: PUC-SP.

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL (SENAI). Técnicas de Execução de Revestimento Cerâmico. Brasília: SENAI.


Aula 3 – Assentamento, nivelamento e rejuntamento

 

Depois que a superfície foi preparada e a argamassa escolhida corretamente, inicia-se a etapa mais visível do trabalho: o assentamento das peças. É nesse momento que o planejamento realizado anteriormente começa a aparecer no ambiente. Embora pareça uma atividade simples, essa fase exige atenção, paciência e precisão. Um pequeno desalinhamento no início da instalação pode comprometer todo o acabamento,

tornando o erro perceptível mesmo após a conclusão da obra.

Antes de espalhar a argamassa, é recomendável conferir novamente as medidas do ambiente e a distribuição das peças. Esse planejamento, conhecido como paginação, ajuda a definir por onde o assentamento deve começar, reduz a quantidade de cortes e proporciona um resultado mais harmonioso. Em muitos casos, alguns minutos de planejamento evitam desperdício de material e retrabalho durante a execução.

Com a paginação definida, a argamassa é aplicada sobre a base utilizando uma desempenadeira dentada adequada ao tamanho do revestimento. Os cordões formados pela desempenadeira devem permanecer uniformes, pois são eles que garantem a correta distribuição da argamassa e favorecem a aderência entre a peça e a superfície. A área preparada deve ser compatível com o tempo em aberto indicado pelo fabricante, evitando que a argamassa forme uma película superficial antes da colocação das placas.

Após posicionar cada peça, o profissional deve pressioná-la levemente e realizar pequenos movimentos para promover o esmagamento dos cordões de argamassa. Esse procedimento melhora o contato entre a placa e a base, reduzindo a formação de espaços vazios que, futuramente, podem provocar sons ocos, infiltrações ou até mesmo o desprendimento do revestimento.

O alinhamento das peças deve ser conferido continuamente durante toda a instalação. Para isso, utilizam-se espaçadores plásticos, nível, régua de alumínio e, quando necessário, sistemas niveladores compostos por cunhas e clipes. Esses acessórios facilitam a obtenção de juntas uniformes e ajudam a reduzir diferenças de altura entre as placas, especialmente quando se trabalha com porcelanatos de grandes formatos. Atualmente, diversos fabricantes recomendam o uso desses sistemas para melhorar a qualidade do acabamento.

Outro ponto importante é respeitar as juntas de assentamento. Algumas pessoas acreditam que deixar as peças completamente encostadas produz um acabamento mais bonito, mas essa prática não é recomendada. As juntas permitem pequenas movimentações provocadas por variações de temperatura, retração dos materiais e acomodação natural da construção. Quando inexistentes ou insuficientes, aumentam as possibilidades de fissuras, destacamentos e outras manifestações patológicas.

Durante o assentamento, também é importante remover imediatamente o excesso de argamassa que invade as juntas. Se esses resíduos endurecerem, poderão dificultar o preenchimento correto do rejunte,

comprometendo tanto o acabamento quanto a vedação entre as peças.

Concluído o assentamento, é necessário respeitar o período de cura da argamassa antes de iniciar o rejuntamento. As normas técnicas recomendam que o rejunte seja aplicado somente após o tempo mínimo indicado para garantir a estabilidade das placas. Antes dessa etapa, o profissional deve verificar se existe alguma peça apresentando som oco por meio de uma leve percussão com instrumento não contundente. Caso seja identificada alguma falha de aderência, a placa deve ser removida e reassentada antes da aplicação do rejunte.

O rejuntamento tem funções que vão muito além da estética. Ele preenche os espaços entre as peças, dificulta a infiltração de água, protege as bordas do revestimento e contribui para a durabilidade do conjunto. Além disso, ajuda a absorver pequenas movimentações da estrutura, reduzindo tensões que poderiam provocar trincas ou descolamentos.

Antes da aplicação do rejunte, as juntas precisam estar limpas, livres de poeira, resíduos de argamassa e outras impurezas que possam prejudicar sua aderência. Em sistemas cimentícios, normalmente recomenda-se umedecer levemente as juntas antes da aplicação, conforme orientação técnica do fabricante e da norma aplicável. O rejunte é espalhado com desempenadeira de borracha, preenchendo completamente todos os espaços entre as placas.

Depois que o produto começa a endurecer, o excesso deve ser removido cuidadosamente com esponja levemente umedecida, realizando movimentos suaves para não retirar material das juntas. A limpeza final deve ser feita somente no momento indicado pelo fabricante, evitando manchas ou danos ao acabamento.

Entre os erros mais comuns dos iniciantes estão caminhar sobre o revestimento antes da cura completa, utilizar quantidade insuficiente de argamassa, deixar espaços vazios sob as peças, desalinhá-las durante o assentamento e executar o rejuntamento sem limpar adequadamente as juntas. Essas falhas podem comprometer a aparência do revestimento e reduzir significativamente sua vida útil.

Por isso, o sucesso de um assentamento depende da soma de várias etapas executadas com atenção. Trabalhar com calma, conferir constantemente o alinhamento, utilizar as ferramentas corretas e respeitar os tempos de cura são atitudes que garantem um acabamento uniforme, resistente e capaz de manter sua qualidade por muitos anos.

Referências bibliográficas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13753: Revestimento de piso interno ou

externo com placas cerâmicas e utilização de argamassa colante – Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13754: Revestimento de paredes internas com placas cerâmicas e utilização de argamassa colante – Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13755: Revestimento de fachadas com placas cerâmicas e utilização de argamassa colante – Projeto, execução, inspeção e aceitação. Rio de Janeiro: ABNT.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14992: Argamassa à base de cimento Portland para rejuntamento de placas cerâmicas – Requisitos e métodos de ensaio. Rio de Janeiro: ABNT.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CERÂMICA (ABCERAM). Normas Técnicas para Placas Cerâmicas e Argamassas Colantes. São Paulo: ABCERAM.

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL (SENAI). Assentamento de Revestimentos Cerâmicos. Brasília: SENAI.

Estudo de Caso – Módulo 2

A reforma do banheiro que precisou ser refeita

 

Mariana havia comprado um apartamento usado e decidiu reformar completamente o banheiro. Depois de escolher um porcelanato de grande formato e um revestimento moderno para as paredes, contratou um profissional indicado por um conhecido. O orçamento era atrativo e o prazo de execução bastante curto, o que parecia uma excelente oportunidade.

No primeiro dia de trabalho, o assentador iniciou a instalação sem realizar uma inspeção cuidadosa da base. O contrapiso apresentava pequenas irregularidades e havia resíduos de poeira e tinta em alguns pontos, mas ele acreditou que a argamassa compensaria essas imperfeições. Esse é um dos erros mais comuns em obras de revestimento: iniciar o assentamento sobre uma superfície inadequadamente preparada, comprometendo a aderência das peças.

Outro problema surgiu durante o preparo da argamassa. Para ganhar tempo, o profissional adicionou água "a olho", sem seguir a proporção indicada pelo fabricante. Além disso, preparou uma quantidade muito maior do que conseguiria utilizar dentro do tempo recomendado. Quando percebeu que a argamassa começava a endurecer, acrescentou mais água para tentar reaproveitá-la. Essa prática altera as características do produto e reduz sua capacidade de aderência.

Durante o assentamento, o profissional deixou de utilizar espaçadores e conferiu o nivelamento apenas no início da instalação. À medida que o trabalho avançava, pequenas diferenças de altura começaram a surgir entre as peças. Como o porcelanato era de grande formato, essas

irregularidades ficaram ainda mais evidentes sob a iluminação do ambiente.

Outro erro importante foi não realizar a dupla colagem, técnica frequentemente recomendada para placas maiores. Em consequência, formaram-se espaços vazios sob algumas peças. Poucos dias após a entrega da obra, o cliente percebeu sons ocos ao caminhar sobre determinados pontos do piso. Em seguida, apareceram pequenas fissuras no rejunte e algumas placas começaram a apresentar movimentação. Estudos sobre patologias em revestimentos cerâmicos mostram que falhas na preparação da base, cobertura insuficiente de argamassa e ausência de juntas adequadas estão entre as principais causas desses problemas.

Diante da situação, uma empresa especializada foi contratada para avaliar o serviço. Após a inspeção, verificou-se que parte do revestimento precisaria ser removida e reinstalada. Dessa vez, a equipe iniciou o trabalho de maneira diferente. Primeiro, regularizou e limpou completamente a base. Depois, utilizou a argamassa indicada para porcelanato, respeitou a quantidade de água recomendada, preparou pequenas porções de mistura e trabalhou apenas dentro do tempo de utilização do produto.

Durante o assentamento, todas as peças foram niveladas com o auxílio de espaçadores e sistema nivelador. Nos porcelanatos maiores, foi utilizada a técnica de dupla colagem para aumentar a área de contato entre a placa e a base. Após a cura da argamassa, o rejuntamento foi executado somente depois da limpeza completa das juntas e conforme as orientações do fabricante.

O resultado foi um revestimento uniforme, firme e bem alinhado. O banheiro ganhou um excelente acabamento e, após vários meses de uso, não apresentou peças soltas, trincas nem problemas de infiltração.

Esse caso demonstra que a qualidade do assentamento depende muito mais do cuidado com cada etapa do processo do que da velocidade da execução. Preparar corretamente a superfície, escolher a argamassa adequada, respeitar os tempos de aplicação, utilizar as técnicas recomendadas de nivelamento e executar o rejuntamento de forma correta são atitudes que evitam retrabalho, reduzem desperdícios e garantem um revestimento bonito, resistente e durável.

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