Controle em Infecções de Serviços de Saúde

CONTROLE EM

INFECÇÕES DE SERVIÇOS DE SAÚDE

 

Medidas de Prevenção e Controle 

Higiene das Mãos 

 

Importância da Higiene das Mãos

A higiene das mãos é uma das medidas mais simples, eficazes e econômicas para prevenir infecções e salvar vidas em serviços de saúde. Ela desempenha um papel crucial na interrupção da cadeia de transmissão de agentes patogênicos, protegendo tanto os pacientes quanto os profissionais de saúde. As mãos dos profissionais de saúde podem se tornar veículos para a transferência de microrganismos, incluindo bactérias, vírus e fungos, de um paciente para outro ou para superfícies inanimadas dentro do ambiente de saúde.

A adesão à higiene das mãos reduz significativamente a incidência de infecções associadas aos cuidados de saúde (IRAS), como infecções do trato urinário, infecções do sítio cirúrgico, pneumonias associadas à ventilação mecânica e infecções da corrente sanguínea. Estudos demonstram que a melhoria das práticas de higiene das mãos está diretamente relacionada à diminuição das taxas de infecção, à redução dos custos de tratamento e ao aumento da segurança do paciente.

Técnicas Adequadas de Lavagem e Fricção com Álcool

Existem duas principais técnicas de higiene das mãos: a lavagem com água e sabão e a fricção com preparações alcoólicas. Cada uma tem sua indicação específica e deve ser realizada corretamente para ser eficaz.

Lavagem com Água e Sabão

1.     Molhar as mãos com água corrente limpa.

2.     Aplicar sabão suficiente para cobrir todas as superfícies das mãos.

3.     Esfregar as palmas das mãos uma na outra.

4.     Esfregar a palma de uma mão contra o dorso da outra, entrelaçando os dedos, e vice-versa.

5.     Esfregar as palmas das mãos uma na outra com os dedos entrelaçados.

6.     Esfregar o dorso dos dedos contra a palma oposta, segurando os dedos com um movimento de vai-e-vem.

7.     Esfregar o polegar esquerdo com a mão direita em movimento circular, e vice-versa.

8.     Esfregar as pontas dos dedos da mão direita contra a palma da mão esquerda, fazendo um movimento circular, e vice-versa.

9.     Enxaguar bem as mãos com água corrente.

10. Secar as mãos com um papel toalha descartável.

11. Usar o papel toalha para fechar a torneira.

Fricção com Preparações Alcoólicas

1.     Aplicar uma quantidade suficiente de solução alcoólica nas mãos secas para cobrir todas as superfícies.

2.     Esfregar as palmas das mãos uma na outra.

3.     Esfregar a palma de uma mão contra o dorso da outra, entrelaçando os dedos, e vice-versa.

4.     Esfregar as

palmas das mãos uma na outra com os dedos entrelaçados.

5.     Esfregar o dorso dos dedos contra a palma oposta, segurando os dedos com um movimento de vai-e-vem.

6.     Esfregar o polegar esquerdo com a mão direita em movimento circular, e vice-versa.

7.     Esfregar as pontas dos dedos da mão direita contra a palma da mão esquerda, fazendo um movimento circular, e vice-versa.

8.     Continuar a fricção até as mãos ficarem secas, o que deve levar cerca de 20 a 30 segundos.

Momentos Chave para a Higiene das Mãos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu cinco momentos chave para a higiene das mãos nos serviços de saúde, visando maximizar a prevenção da transmissão de patógenos:

1.     Antes de Tocar no Paciente: Previne a transmissão de patógenos ao paciente, protegendo-o de infecções que possam ser causadas pelo contato.

2.     Antes de Realizar Procedimentos Assépticos: Garante que os procedimentos que requerem um ambiente estéril não sejam comprometidos por microrganismos presentes nas mãos do profissional de saúde.

3.     Após Risco de Exposição a Fluidos Corporais: Evita a autoinoculação de patógenos e a disseminação dos mesmos para outros pacientes ou superfícies.

4.     Após Tocar no Paciente: Reduz a probabilidade de transferência de microrganismos adquiridos do paciente para o profissional de saúde e outros pacientes.

5.     Após Tocar em Superfícies Próximas ao Paciente: Considera que superfícies e objetos próximos ao paciente podem estar contaminados, prevenindo a transmissão cruzada de patógenos.

A adesão a esses momentos críticos e a prática correta das técnicas de higiene das mãos são essenciais para criar um ambiente seguro e reduzir a incidência de infecções associadas aos cuidados de saúde. Profissionais de saúde bem informados e comprometidos com a higiene das mãos são fundamentais para alcançar esses objetivos.


Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)

 

Tipos de EPIs: Luvas, Máscaras, Aventais

Os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) são barreiras físicas destinadas a proteger os profissionais de saúde de riscos biológicos, químicos e físicos presentes no ambiente de trabalho. Eles desempenham um papel crucial na prevenção da transmissão de infecções e na proteção da saúde dos trabalhadores. Os principais tipos de EPIs incluem:

  • Luvas: Usadas para proteger as mãos de contaminação durante o contato direto com sangue, fluidos corporais, mucosas, pele não íntegra e materiais potencialmente infecciosos. Existem diferentes tipos de luvas, como
  • Usadas para proteger as mãos de contaminação durante o contato direto com sangue, fluidos corporais, mucosas, pele não íntegra e materiais potencialmente infecciosos. Existem diferentes tipos de luvas, como luvas de látex, nitrilo e vinil, adequadas para diversas situações.
  • Máscaras Cirúrgicas: Utilizadas para proteger o profissional e o paciente da dispersão de gotículas respiratórias durante procedimentos que não produzem aerossóis. Elas cobrem o nariz e a boca e são descartáveis.
  • Respiradores N95: Oferecem proteção contra partículas aéreas, incluindo aerossóis e patógenos transportados pelo ar. São utilizados em situações de alto risco, como o cuidado de pacientes com doenças respiratórias transmissíveis por aerossóis.
  • Aventais: Protegem a pele e as roupas do profissional de saúde contra respingos de sangue, fluidos corporais e outros materiais infecciosos. Podem ser descartáveis ou reutilizáveis, dependendo do material.
  • Protetores Faciais e Óculos de Proteção: Protegem os olhos e o rosto contra respingos e aerossóis. São especialmente importantes durante procedimentos que geram aerossóis ou respingos.
  • Toucas e Protetores de Calçados: Usados para proteger o cabelo e os pés de contaminação, principalmente em áreas cirúrgicas ou durante procedimentos estéreis.

Indicações e Técnicas de Uso Correto

O uso adequado dos EPIs é fundamental para garantir sua eficácia na proteção contra infecções. As indicações para o uso de EPIs variam conforme o tipo de procedimento e o nível de exposição ao risco. Aqui estão algumas diretrizes para o uso correto:

  • Luvas: Devem ser usadas sempre que houver risco de contato com sangue, fluidos corporais, mucosas, pele não íntegra ou materiais contaminados. Devem ser trocadas entre procedimentos e entre pacientes para evitar a transmissão cruzada de patógenos.
  • Máscaras Cirúrgicas: Indicadas durante procedimentos que envolvem contato próximo com pacientes, especialmente em situações de risco de exposição a gotículas respiratórias. Devem ser trocadas quando estiverem úmidas ou danificadas.
  • Respiradores N95: Utilizados em procedimentos que geram aerossóis, como intubação e aspiração de vias aéreas. Devem ser ajustados corretamente ao rosto para garantir a vedação adequada.
  • Aventais: Devem ser usados em procedimentos que envolvem risco de respingos ou contato com materiais infecciosos. Aventais descartáveis devem ser descartados após o uso, enquanto aventais reutilizáveis devem ser lavados e desinfetados adequadamente.
  • Protetores Faciais e
  • Óculos de Proteção: Necessários em procedimentos que apresentam risco de respingos ou exposição a aerossóis. Devem ser ajustados para cobrir completamente os olhos e o rosto.
  • Toucas e Protetores de Calçados: Indicados em áreas estéreis, como salas cirúrgicas, para evitar a contaminação do ambiente.

Descarte Adequado de EPIs

O descarte adequado dos EPIs é crucial para prevenir a contaminação e a propagação de infecções. As diretrizes para o descarte incluem:

  • Luvas: Devem ser removidas com cuidado, evitando o contato com a pele. Devem ser descartadas em recipientes apropriados para resíduos biológicos.
  • Máscaras Cirúrgicas e Respiradores N95: Devem ser removidos tocando apenas os elásticos ou tiras, evitando tocar na superfície externa. Devem ser descartados em lixeiras para resíduos biológicos.
  • Aventais: Devem ser retirados com cuidado, dobrando a superfície externa para dentro. Aventais descartáveis devem ser colocados em recipientes para resíduos biológicos, enquanto aventais reutilizáveis devem ser encaminhados para lavagem e desinfecção.
  • Protetores Faciais e Óculos de Proteção: Devem ser desinfetados adequadamente após o uso, se forem reutilizáveis. Caso sejam descartáveis, devem ser colocados em recipientes para resíduos biológicos.
  • Toucas e Protetores de Calçados: Devem ser removidos evitando o contato com a superfície externa e descartados em recipientes apropriados.

O uso correto e o descarte adequado dos EPIs são essenciais para manter um ambiente de trabalho seguro, prevenir infecções e proteger a saúde dos profissionais de saúde e dos pacientes. A educação contínua e o treinamento sobre o uso de EPIs são fundamentais para garantir a adesão às práticas de segurança.


Precauções Padrão e Específicas

 

Definição de Precauções Padrão

As precauções padrão são um conjunto de práticas de controle de infecções recomendadas para todos os pacientes, independentemente de seu diagnóstico ou status de infecção. Essas práticas são projetadas para proteger os profissionais de saúde e os pacientes de infecções adquiridas no ambiente hospitalar. Elas se baseiam no princípio de que todos os fluidos corporais, secreções (exceto suor), mucosas e pele, não intactas podem conter agentes infecciosos.

As principais componentes das precauções padrão incluem:

  • Higiene das Mãos: Realizada antes e depois de qualquer contato com o paciente, após contato com fluidos corporais, após remover luvas e antes de realizar procedimentos assépticos.
  • Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs):
  • Inclui luvas, máscaras, aventais e protetores faciais conforme necessário para prevenir a exposição a fluidos corporais.
  • Higiene Respiratória e Etiqueta da Tosse: Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar e usar lenços descartáveis.
  • Práticas de Injeção Segura: Uso de equipamentos estéreis e descarte adequado de agulhas e seringas.
  • Manuseio e Descarte Adequado de Materiais Contaminados: Inclui o descarte seguro de resíduos e a desinfecção de superfícies e equipamentos.

Precauções de Contato, Gotículas e Aerossóis

Além das precauções padrão, existem precauções específicas adicionais que são necessárias para prevenir a transmissão de doenças infecciosas em diferentes modos. Estas incluem:

  • Precauções de Contato: Visam prevenir a transmissão de patógenos que são transmitidos por contato direto com o paciente ou contato indireto com superfícies ou objetos contaminados.
    • Uso de Luvas: Sempre que houver contato com o paciente ou com o ambiente do paciente.
    • Uso de Aventais: Para proteger a pele e as roupas durante o contato com o paciente e o ambiente do paciente.
    • Isolamento do Paciente: O paciente deve ser colocado em um quarto privativo ou com outros pacientes que tenham a mesma infecção.
  • Precauções de Gotículas: Destinam-se a prevenir a transmissão de patógenos que são transmitidos através de gotículas respiratórias expelidas quando o paciente tosse, espirra ou fala.
    • Uso de Máscaras Cirúrgicas: Profissionais de saúde devem usar máscaras cirúrgicas ao entrar no quarto do paciente.
    • Distância Segura: Manter uma distância de pelo menos um metro do paciente, se possível.
    • Isolamento do Paciente: Preferencialmente em um quarto privativo.
  • Precauções de Aerossóis: Indicadas para prevenir a transmissão de patógenos que permanecem infecciosos e suspensos no ar por longos períodos.
    • Uso de Respiradores N95: Necessário para profissionais de saúde que entram em contato com o paciente ou realizam procedimentos que geram aerossóis.
    • Isolamento em Quarto com Pressão Negativa: O paciente deve ser colocado em um quarto com pressão negativa para impedir que os aerossóis se espalhem para outras áreas.
    • Porta Fechada: Manter a porta do quarto fechada para controlar a circulação de ar.

Implementação de Protocolos de Precaução

A implementação eficaz dos protocolos de precaução requer um esforço coordenado e contínuo. Os passos principais incluem:

  • Educação e Treinamento: Todos os profissionais de saúde devem receber treinamento contínuo sobre as práticas de controle de infecção, incluindo o uso correto de
  • EPIs e os protocolos de precaução.
  • Disponibilidade de EPIs: Garantir que todos os EPIs necessários estejam disponíveis e facilmente acessíveis aos profissionais de saúde.
  • Monitoramento e Avaliação: Realizar auditorias regulares e monitoramento para garantir a adesão aos protocolos de precaução e identificar áreas que precisam de melhoria.
  • Comunicação Eficaz: Garantir que todos os membros da equipe estejam cientes das precauções necessárias para cada paciente, utilizando sinalização adequada e comunicação clara.
  • Engajamento da Liderança: A liderança da instituição de saúde deve apoiar ativamente as iniciativas de controle de infecção e promover uma cultura de segurança.

As precauções padrão e específicas são componentes essenciais de um programa abrangente de controle de infecções. Ao aderir rigorosamente a esses protocolos, os profissionais de saúde podem minimizar o risco de transmissão de infecções e garantir um ambiente seguro para pacientes e trabalhadores.

Voltar